Mostrando postagens com marcador o primeiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador o primeiro. Mostrar todas as postagens

28.10.15

compilação 2015

11 de fevereiro de 2015
O menininho não está entendendo porque a mamãe está chorando.
- É que é uma história triste - explicou a mamãe.
- O que é uma história triste, mamãe?
- É que faz a gente chorar.
- Então assiste outra coisa!

04 de maio de 2015
- Que ano o Zequinha nasceu? - perguntou o garotinho.
- 2012 - respondeu o papai.
- Ele nasceu antes de mim?
- Não, você nasceu em 2009, aí teve 2010, 2011 e ele nasceu em 2012 - explicou a mamãe.
- Nossa! Como eu sou grande!


08 de junho de 2015
- Filho, me desculpe por ter atrasado. É que tocou meu telefone e eu tive que atender, e distraída acabei indo pro lado errado. Quando lembrei que tinha estacionado o carro do outro lado da prefeitura, tive atravessar tudo de novo pra chegar no carro. E por causa da chuva estava o maior trânsito...
- Você foi para o lado errado?
- Sim, me distraí e fui onde eu sempre estaciono, mas hoje parei em outro lugar, bem longe.
- Você está precisando de um GPS, mamãe.

09 de julho de 2015
Teve reunião na escolinha. A professora reclama que o garoto não para de cantar na aula. Conta também que, certo dia, exausta de tanto pedir silêncio, disse a ele:
-Se você não consegue parar de cantar, então vá para fora, sente-se no banco e só volte quando terminar de cantar!
Para sua surpresa, em vez de baixar a cabeça e pedir desculpas, ele se levantou e saiu da sala. Depois de uns minutos, voltou:
- Terminei, professora - disse, muito tranquilo.


.....

- Hoje eu troquei adesivos com a Mariazinha. Papai, seus alunos trocam adesivos no final da aula? 


15 de julho de 2015
Ontem:
- Mamãe, amanhã é pra ir de fantasia na escola.
- E do que você vai?
- De Woody.
Ele tem uma camiseta apertada do Woody, com capa (???) que imita couro de vaca malhada, lenço vermelho para amarrar no pescoço e estrela de xerife.
Hoje, no carro:
- Vou voar hoje na escola, mãe.
- Voar? Por quê?
- Porque está ventando!
- Ah... E vai voar como?
- Com a capa, ué.

17 de julho de 2015
Alguns dias atrás, o menino disse que queria ser piloto de nave espacial. Hoje o assunto voltou:
- Eu vou levar todo mundo no planeta do Stitch!
- Oba! Que legal - disseram papai e mamãe.
- Mas quem quiser fazer xixi vai ter que vir fazer aqui na Terra... - divagou ele.
- Vir até aqui na Terra só pra fazer xixi? - perguntou papai.
- Sim...
- Por quê?!
- Porque lá não tem banheiro!


02 de agosto de 2015
- De novo essa roupa, mamãe?!
Quando o seu filho de 6 anos te faz essa pergunta, é porque já passou da hora de comprar roupas para a aula de yoga.

06 de agosto de 2015
Sabe aquele tipo de menino que a-do-ra o pai e quer fazer absolutamente tudo com ele? Então. Eu tenho um. Porém, hoje ele andava muito preguiçoso e disse que não queria sair com o papai.
- Por que não? - perguntei.
- Porque... porque... - ele engasgou um pouquinho, tentando pensar em uma resposta. - Porque eu quero ficar aqui com você. Porque eu te amo muito, mamãe!


25 de setembro de 2015
Mamãe estava gripada há dias. Dentro do carro, logo no começo de uma longa viagem de fim de semana, ela desata a tossir miseravelmente. Quando finalmente consegue conter a tosse, uma vozinha surge do banco de trás:
- Mamãe, joga fora essa doença! Eu não agüento mais escutar...
- Ah, filho, eu adoraria saber como jogar fora uma doença.
- Toma remédio então!


28 de setembro de 2015
- Mãe, vamos assistir Rock in Rio! - diz, se sentando para tomar leite. - Quando o meu amigo da escola crescer, ele vai ser astronauta, e quando eu crescer, eu vou ser cantor no Rock in Rio.
A mamãe coloca no Multishow, mas logo começam os resmungos porque ele queria ver o show do Hollywood Vampires.
- Olha lá, filho, o Elton John toca piano que nem o Paul (McCartney) - diz a mãe, tentando animá-lo.
- O Paul toca tudo - retruca o garoto. - Por que ele toca tudo?
- Porque ele é um músico completo.
- Eu vou ser um músico completo quando eu for adulto...

07 de outubro de 2015
- Amanhã, vamos brincar de restaurante faz de conta? - perguntou o garoto à mamãe.
- Vamos. E como brinca de restaurante faz de conta? - perguntou ela.
- Primeiro tem que escolher quem vai ser o chef. Se você for ser o chef, você vai ser o chef; se eu for o garçom, eu vou ser o garçom; se o papai for o cliente, o papai vai ser o cliente!

09 de outubro de 2015
- Sssss, au! - fez a mamãe.
- Porque você fez "sssss, au"? - perguntou o filho.
- Porque enroscou um fio de cabelo nos meus óculos. Arrancou!
- O que é fio de cabelo?
- Ah! Você não sabe o que é fio de cabelo?
- Não!
- O cabelo é formado por um monte de fios. A sua cabeça está cheia de fios de cabelo.
- E a sua?
- Também. Todos os cabelos são um monte de fios de cabelo.
- E os queijos que estão quentes*?
 


*Queijos quando quentes derretem e quando a gente puxa, faz um fio. Relações que só o meu maluquinho sabe fazer, rs. 

17 de outubro de 2015
- A cidade é um ser vivo?
- Não, a cidade tem seres vivos: os humanos, outros animais, plantas...
- Então por que a cidade faz aniversário?!

28 de outubro de 2015
- A professora me disse que o halloween é o dia do Santos.
- Não é do time de futebol que ela está falando, viu. É das pessoas santas - avisou a mamãe.
- Que pessoas santas?
- As pessoas que são muito boas, que fazem milagres... - explicou. - Sabe, existe uma lenda que diz que no dia das bruxas os mortos voltam e andam pela terra - continuou a mamãe, fazendo voz assustadora.
- E se os mortos voltassem? E se o biso* voltasse? - perguntou ele, sorrindo.

* Bisavô. No caso, o meu avô paterno, pois foi o que ele chegou a conhecer.

7.10.15

partos

Eu vejo toda essa discussão sobre partos. Quase um embate, às vezes. E eu tenho uma opinião bem formada a respeito, mas não gostaria que ninguém interpretasse como uma tentativa de ser dona da verdade, ou de diminuir outras opiniões e/ou mães.

O fato é que eu tenho uma coisa dentro de mim que define muito claramente o que significa, em especial, o momento de dar à luz. Eu acredito que na vida de mamães e papais, existem inúmeros momentos em que poderemos exercer nossa influência, autoridade, sabedoria. Que nós é quem sabemos, na maioria das vezes, o que é melhor para os nossos filhos. Que, em algumas situações, poderemos inclusive colocar nossas necessidades em primeiro lugar. Entretanto, o momento de dar à luz não é um desses. Se existem situações em que um filho sabe melhor do que seus pais o que é melhor para ele, essa é A situação primordial. 

Por isso, no meu íntimo, sinto que o parto deve ser decidido pelo bebê. Não pela mãe, pelo bebê. Geralmente, essa decisão será sinalizada na forma de muitas contrações e de uma bolsa rompendo. E que aguentar a dor sentida é o mínimo que eu posso fazer em respeito a essa decisão tomada por ele. Ser mãe não é fácil, passar pelo parto provavelmente será fichinha perto de tudo o que precisará ser enfrentado e resolvido após esse momento crucial. Deixemos o bebê sair do nosso aconchego quando ele sentir que está preparado.

E, antes que minha mãe venha correndo me consolar pelo parto do meu filho, já adianto: o meu parto cesárea não necessariamente se exclui do que falei até aqui. Eu tenho plena convicção de que não há nada mais que eu pudesse ter feito em favorecimento do meu filho que eu não tenha feito à época de seu nascimento. E, diante da situação, ele soube se aprontar para a sua saída às pressas e, de certa forma, saiu quando bem entendeu. Ei, esse lugarzinho já não me serve pra nada, não tô crescendo, minha mãe tá na bad... Vamos descolar essa placenta sacana e dar um jeito de correr pra fora daqui onde eu possa mamar meu leitinho. E, pá pum. Duas horas depois ele estava de boas "pegando uma corzinha".

Sou magricelinho, mas quem resiste ao charme desses "óculos de sol"?
(na foto parece trágico, mas ele realmente estava muito bem de saúde! juro!)

- Ah, mas você não faz ideia da dor do trabalho de parto. Para você é fácil falar - você me diria. 

- Talvez - eu responderia. 

Ainda assim, eu realmente acredito nisso. E sem desmerecer minha mãe, ou qualquer outra pessoa cuja historia tenha sido diferente, ou cujas convicções sejam outras. São mães, tanto quanto eu. Somos todas mães, tanto quem teve parto natural, ou humanizado, ou cesárea, ou cesárea programada. Os tempos mudam, as pessoas mudam, até eu posso mudar. Nunca se sabe.

E, não. Não estou grávida, rs;

29.6.12

calma

Entraram no carro e o menininho estava meio cansadinho, manhosinho. Daquele jeito quando um pingo de água vira uma tempestade. E ele anda empolgado com o GPS, pede pra papai e mamãe ligarem sempre que entram no carro. Dessa vez não foi diferente, mas ele já começou a pedir meio desesperado, como se a mamãe estivesse se negando a ligar o aparelho.

- Liga, mamãe! Liga! Liga! -  dizia, com a voz chorosa, a um passo do pânico.

- Espera um pouquinho, estou ligando.

Então, enquanto esperava, ele começou a repetir baixinho para si mesmo, com uma vozinha embargada:

- Calma... calma... calma...

27.6.12

quem?

E lá vem o garotinho segurando a agenda da escola com certa dificuldade, afinal, a capa estava separada do corpo. Era a segunda vez que ele destacava aquela capa - sem querer, claro. Caminhando com cuidado, o menininho entra no quarto da mamãe e a olha com aquela carinha inocente que só ele sabe fazer:

- Quem quebô isso??!
 

...



E só para esbanjar um pouquinho mais:

Sim, meu menininho de 3 anos sabe ler os números de 1 a 9.

Quem me olha agora poderia me confundir com um pavão. Hmmmm... metida!

22.6.12

oto

Acabou de acontecer.

Menininho entra no quarto e vem até a mamãe, repetindo sem parar:

- Oto, oto, oto...

Coloca algo na mão da mamãe e fica olhando para ela, satisfeito. A mamãe olha para o que tem nas mãos e dá de cara com um número imantado que caiu da geladeira: o oito.


(Pensamento instintivo: Oh! Meu filho é um gênio!)

21.6.12

papagaio?

 O menininho, de tanto ouvir a música no Cocoricó, resolveu adaptar:

- (T)aaaava Ipe seu (l)ugaaaar... Veeeeio Papai (c)utucaaaaar...

...

Falando em cantar... Algumas semanas atrás, a mamãe ouve o menininho cantando muito animado:

- Avei, avei... Sebolí, sebolí...

Depois de dias tentando descobrir o que era aquilo, a mamãe se lembrou. O menininho tinha encontrado um video com um pedaço da música Yellow Submarine, gravado no show do Ringo:

- Avei, avei (we all live in)... Sebolí, sebolí... (the Yellow Submarine, Yellow Submarine...)

...


Mamãe estava no computador, quando veio o menininho esfregando os olhos lá do seu quarto. Tinha acabado de acordar:

- Olá! - disse ele.

- Olá! Bom dia!- respondeu a mamãe.

Ele se aproxima e deita a cabeça nas pernas da mamãe.

- Quer sentar no meu colo?

O menininho ergue o tronco e, cheio de preguiça, espera ser carregado para cima. Encosta seu corpinho na mamãe, e se deixa ficar ali. A mamãe decide colocar um videozinho rápido, para ele assistir. Algo que ele gosta. O videozinho passa todo com o menininho quietinho, repetindo uma ou duas palavras da música que toca. Quando acaba, ele fica alguns segundos olhando a tela do computador, mas finalmente pede:

- Apeta. Apeta, mamãe!

E a mamãe põe o video para rodar novamente.

...

Empolgado com um papagaio virtual, que é muito sapeca, o garotinho busca o papagaio de pelúcia no seu armário e vem todo feliz mostrar para a mamãe:

- Papagaio!

- É, o papagaio... - repete a mamãe (se a mamãe não falasse nada, o menininho ficaria ele mesmo repetindo a palavra até alguém dizer também)

- Naná naná... - diz ele, numa voz rouca, chacoalhando o bichinho animadamente (ele imitava o papagaio virtual, que de vez em quando chacoalha o traseiro para a gente e diz "na-na na-na na-na").

A mamãe sorri, quando é pega de surpresa pela ação seguinte. O menininho coloca o papagaio entre as pernas e sai pulando:

- Pocotó, pocotó, pocotó...

27.4.12

bom dia!

Menininho tava doentinho, pobrezinho. Tinha dormido uma parte da manhã, ficou assistindo tv a tarde toda e acabou pegando no sono no fim da tarde. Mamãe não queria acordar, para que ele descansasse bastante. Assim, menininho continuou dormindo e dormindo.

Por volta de nove horas da noite, mamãe carregou menininho para a cama e pensou "acho que ele vai emendar".

Uma hora depois, estavam mamãe e papai no quarto deles, cada um em seu computador, quando menininho adentra pela porta, esfregando os olhinhos, e diz:

- Bo dia!

27.6.11

vocabulário

Dicionário Zezinheis:
ãia / eia - estranha
arara - arara (!!)
ãus - mãos
babá - mamar / mamadeira
bãz - Buzz (!!) Lightyear 
bicá / bitá - brincar
bô! - acabou
chei! - achei
cmcm - galinha (ou qualquer personagem do Cocoricó) / cocô
cmê - comer
dadá - guardar
 - cadê
di - desculpa
diá - bom dia (em desuso)
giá - girar
í - abrir
iáiá - gato / miau
 - alô
íhihihiii - cavalo (e o som que faz)
- já (!!)
memé / mé - mamãe
mi - dormir
papá - comida
papai / pá - papai (!!)
papo - sapo (ou suco no copo do sapo)
- pé (!!)
pepé - chapéu
peixí - peixe (!!)
pinpin - pinguim
pipi - pipi (!!)
piu piu - passarinho / pato / pintinho / aves em geral
puá - pular
siá - passear
siiim - sim (em desuso)
tata - batata / pirata
tatá - Patatá
tati - Patati
tchiáu - tchau (!!)
tchê - descer (às vezes subir)
tiá - tia (!!) / tirar
titi - assistir
titio - titio (!!)
uauá - cachorro / auau
údi - Woody (Toy Story) (!!)
xaxa - Xuxa
xiiiii... - xiiii...
xísh - vixe!
xixi - xixi
wô / wó - vô / vó

Frases formadas:
Tchiáu, pinpin!
Xiiii... bô!
Xiiii... dê?
Chei memé!
Titi Xaxa.
Pepé Udi.

Segurando o Buzz Lightyear: "Uuuuuuiiiiii eeeeeee!" (Ao infinito e além!)

Segurando uma bola, prestes a lançá-la para o alto: (1, 2, 3) "i já!"

Zezinho puxou o tio (meu irmão) e o pai. Ambos demoraram bastante para começar a falar também. Pior é que quando aprender, acho que ele vai engatar numa tagarelice braba, rs.

...

Tem uma garotinha na escolhinha que deve ser uns mesesinhos mais velha que ele. Quando a gente vai buscar o Zezinho, ela fala:

- A minha mãe não veio me buscar porque ela tá trabalhando. Meu pai também.

Outro dia, o Zezinho estava num cantinho e ela me disse:

- Ele tá aqui, ó - e foi até ele e passou a mão na cabeça dele (como um adulto fazendo um cafuné numa criança).

Ainda outro dia, ela me perguntou:

- Qual o seu nome?

Aí eu respondi e ela tagarelou outras coisas. Momentos depois, a mãe dela chegou e ela virou para a mãe e disse:

- Qual o seu nome?

13.6.11

tagarela

Mamãe e papai estão na cozinha, jantando. Zezinho está na sala, supostamente assistindo tv. De repente, ele entra correndo, para no meio da cozinha olhando para papai e mamãe:

- B'di patibadá, ptibié. Abadi dipti badá. Tchiáu... - finaliza, balançando a mãozinha em sinal de adeus.

- Tchau! - respondem papai e mamãe, em uníssono.

Então, o garotinho dá meia volta e sai correndo pela porta, dá uma volta em torno do sofá para em seguida retornar à cozinha e parar no mesmo local de antes.

- Abapádi... Bidi patidi, dibetá.

- Ah é? Que legal! - diz mamãe (ou papai).

- Tchiáu... - balança a mãozinha novamente.

- Tchau.

Precipita-se pela porta mais uma vez, corre ao redor do sofá e retorna. Para começar tudo de novo.

6.6.11

telefone

Papai faz o som com a boca:

- Triiiiim... triiiiiiiim... triiiiiiiiiiiim...

Zezinho pega o celular e coloca na orelha:

- Iê*? Iiiê? Badá badá, badá....

E 'desliga', apertando algum botão.

Mamãe diz:

- Você esqueceu de falar tchau...

Papai:

- Triiiiim... triiiiiiiim... triiiiiiiiiiiim...

- Iiiiê? Badá. Tchiáu.

E desliga.



* Alô?

16.5.11

histórias do cantinho

Finalmente, vou contar o que eu queria quando sentei para escrever o outro post.

Por ordem cronológica, a primeira historinha aconteceu já há algum tempo, coisa de um mês e meio atrás. Zezinho estava brincando com seu giz de cera quando o papai viu alguns rabiscos vermelhos no cadeirão dele. O papai pegou o menininho, levou até o cadeirão (que fica exatamente do lado do local que usamos como cantinho da disciplina) e falou bem firme:

- Zezinho, não pode riscar o cadeirão! Se você riscar de novo, você vai para o cantinho!

Enquanto ouvia, o Zezinho parecia concordar que havia feito besteira, com uma expressão que quase dizia "é, papai, eu pisei na bola mesmo...". O papai, ao terminar de dar a advertência, virou as costas e se afastou até o sofá. Imediatamente, o Zezinho deu dois passos para trás, encostou na parede do 'cantinho' e se sentou, com uma carinha de desolado. O papai chamou, eu chamei, falamos que ele ainda não precisava ir para o cantinho, mas ele só saiu de lá quando o papai foi até ele e o pegou no colo. 

Foi muito bonitinho, porque pareceu que ele estava tão arrependido que acreditava que merecia punição. Nunca mais ele riscou o cadeirão. 

Entretanto, alguns dias depois...

Está o Zezinho desenhando na sala de tv, quando eu percebo que ele riscou o chão da sala. Como de praxe, eu levei ele até o lugar e falei com firmeza que ele não poderia riscar o chão e que se fizesse isso novamente, ele iria ficar no cantinho por dois minutos. Pois bem, eu virei as costas e fui preparar o banho dele. Foi o tempo de ligar o chuveiro e voltar para a sala, quando vi o chão riscado novamente.

Peguei o Zezinho, levei até o cantinho, expliquei o motivo de ele ficar ali e que ele teria que ficar por dois minutos até eu vir tirá-lo. Ele ficou chorando lá, eu o deixei ali e fui até o quarto dele para preparar as coisinhas para o banho. De repente, escuto uns passinhos pelo corredor. Voltei firme até a sala, coloquei ele de volta no cantinho e expliquei que cada vez que ele saísse de lá, eu começaria a contar os minutos de novo. Ele sentou, chorando de novo. Todo esse processo é muito comum, ele já passou por isso centenas de vezes. Eu, mais uma vez, voltei ao quarto dele e imediatamente ouvi os passinhos no corredor. Aí, eu comecei a ir até a sala pisando duro. 

Quando apareci no corredor, tive tempo de ver o Zezinho chegando de volta no cantinho e sentando rapidinho (porque ouviu que eu estava voltando e não queria que eu visse que ele saiu de lá, para que a contagem do tempo não recomeçasse). Cansada, eu fingi que não percebi que ele tinha saído e só olhei brava para ele. Ele me olhou, sorriu, balbuciou algumas coisas na língua dele (como quem diz "e aí, beleza?!") e começou a batucar nas próprias perninhas. Eu voltei pro quarto, segurando para não rir na frente dele, enquanto ouvia ele batucando e cantarolando. O sem-vergonha estava se achando o máximo porque, na cabeça dele, ele me tapeou!!! Ele estava super orgulhoso de ter conseguido se safar!!!! Ficou o restante dos dois minutos sentadinho, no maior bom-humor. E eu não sabia se ria, ou se morria de raiva da cara de pau do garoto!

Pelo menos, ele nunca mais riscou o chão. Já outras coisas...

A última história de cantinho já é sobre a dificuldade que ele sente em pedir desculpas. Nem imagino quem ele puxou, hehe. No início, eu não exigia o pedido verbal de desculpas, apenas um abraço. Nos últimos dois meses, venho exigindo que ele diga "desculpa", já que o vocabulário dele está aumentando e eu já sei que ele é capaz de falar uma palavrinha nova. Nas primeiras vezes eu aceitava qualquer resmungo, como uma tentativa de dizer a palavra. Recentemente ele adotou o "di" como "desculpa" e assim tem sido. O problema é que às vezes ele simplesmente se recusa a se desculpar. E aí, ele acaba tendo que ficar mais dois minutos no cantinho só por causa disso. Geralmente, nessa segunda vez, ele pede desculpas rapidinho.

Uma noite dessas, o menininho estava impossível, nos testando de todas as formas. Já tinha ido pro cantinho umas duas vezes por motivos variados (e nas duas foi um sacrifício arrancar as desculpas dele) e eu tive que colocá-lo lá uma terceira vez, nem me lembro o porquê. Quando completaram-se os dois minutos, eu fui lá e pedi para ele se desculpar, e nada. Ele se recusou completamente. Pedi várias vezes, avisei que se ele não dissesse "desculpa", ele teria que ficar mais dois minutos no cantinho, e nada. Por fim, eu deixei ele no cantinho mais dois minutos, e depois fui lá tirá-lo, exigindo as desculpas. Mais uma vez ele estava irredutível. Eu já estava quase em pânico, porque não queria ter que deixá-lo lá uma terceira vez seguida. Eu insisti, insisti, insisti até que, em meio ao choro, eu ouvi:

- D-d-d-d-d-d-i...

Parecia que ele estava sendo obrigado a matar alguém, tamanha a dificuldade em dizer uma simples palavrinha! Quando eu o abracei, e disse que aceitava as desculpas, ele desmontou no meu colo e deu um suspiro enorme, como se tivesse acabado de tirar um peso enorme dos ombros! 

Eu nunca imaginei que uma criancinha de dois anos já tivesse esse tipo de orgulho próprio. 

Vivendo e aprendendo.

10.5.11

cantinho da disciplina

Desde que o Zezinho completou um ano, mais ou menos, eu já venho aplicando o cantinho da disciplina em casa. Pra quem não conhece, é uma técnica que a Super Nanny ensina para que as crianças sejam mais obedientes.

A técnica é simples. Você deve ter regras em casa e elas devem ser cumpridas. Para cada regra quebrada, você deve dar uma advertência à criança, avisando que ela quebrou a regra e que se ela fizer isso de novo, ela irá para o cantinho da disciplina. A criança fica no cantinho apenas o tempo em minutos correspondente à idade dela. Para que o cantinho seja eficiente, você não pode conversar ou discutir com a criança enquanto ela estiver sentadinha lá. Após o término dos minutos, você explica à criança novamente o motivo que a fez ficar no cantinho e pede que ela se desculpe. Então, somente após a criança dizer "desculpa", você a abraça e ela está liberada.

No início foi difícil porque o Zezinho era muito pequeno e ainda não entendia muito bem o que estava acontecendo. Mas rapidamente eu já fui percebendo que ele já entendia o modus operandi da coisa toda. Hoje, com dois anos recém completos, ele sabe muito bem o que é o cantinho e o que faz com que ele tenha que ficar sentadinho lá.

O problema é que Zezinho nem bem fez dois anos e já entrou na fase denominada "terrible two", ou simplesmente "os terríveis dois anos". Nessa fase, a criança testa os limites dela e os de seus pais. A gente chega a pensar que a criança é, ou vai ser, bravinha e mandona, como se isso fosse um traço da personalidade dela - mas o fato é que geralmente é apenas fase mesmo. O Zezinho, muito espertinho, muitas vezes faz as coisas que eu acabei de avisar que estão erradas, só pra ver se eu vou REALMENTE fazer ele ir até o cantinho.

Manha também é algo que aumenta demais nessa época. Eles acham que podem ganhar as coisas no choro e, no começo, ganham mesmo. Isso porque você é pego desprevenido. O Zezinho nunca foi manhoso, sempre bonzinho de tudo. De repente começa a chorar do nada, a espernear, acordar de mau-humor, brigar por nada. E agente fica sem entender e acaba fazendo as vontades. Mas acontece que isso começa a ficar frequente e, quando você se dá conta, ele já montou seu próprio cortejo. Quando percebi que o que estava acontecendo era pura e simples manha, botei um fim nessa história rapidinho. Claro, na prática as coisas não são tão fáceis quanto nessa minha linda teoria. Entretanto, o cantinho tem ajudado muito a colocar ordem no meu galinheiro.

Enfim, o cantinho tem sido nosso porto-seguro em casa por esses tempos. E é visível o impacto que a palavra "cantinho" já produz por aqui! Muitas vezes a 'arte' já é interrompida já na advertência, pois Zezinho não está a fim de ficar sentado por dois minutos só pelo prazer em me desafiar, rs. Porém, nem sempre eu tenho essa sorte...

Mas aguardem, darei exemplos reais em breve.



Pior é que a minha intenção primeira era contar três pequenas historinhas do Zezinho, mas acabei me enrolando e o post já ficou grande demais. Por isso, as historinhas vão ficar pra próxima. 

7.12.10

barquinho?

Ambientação:

Sábado. Churrasco sem geladeira.
No chão há uma caixa com bebidas e carnes submersas na água que horas antes havia sido gelo.


Cena:

Molequinho brincando com o celular do papai.

"Cansei de brincá... Onde eu posso guardar isso?" - pensa ele.

Caminha inocentemente até a caixa.

"Acho que aqui tá bom."

Com muito cuidado, estica o bracinho e vai depositando o celular na caixa.
No mesmo instante o objeto afunda.

- Nããããããoooooo... - desespera-se o papai, enfiando a mão na água gelada e retirando o celular encharcado de dentro da caixa.

- Xiiiiiii... - diz o menininho com as mãozinhas espalmadas para cima.

3.12.10

entei

Sexta-feira passada.
Jantar de fim de ano dos professores. 
Chance de sair, me arrumar... 
Não dá pra perder, né.

Coloquei um vestido bonitinho e elegante, um saltão daqueles, fiz maquiagem, pintei as unhas de vermelho. Tudo o que uma mocinha (cof) tem direito. Deixei o Zezinho ainda mais lheendo do que ja é - porque fazer inveja com filho é uma delícia. Tudo pronto e fomos pro jantar.

Aconteceu num clube daqui, muito gostoso. Foi no salão de festas. Próximo dali estava acontecendo um happy-hour à beira da piscina, mas a gente não tinha nada a ver com aquilo. No salão encontrei outras esposas, começamos a conversar - enquanto isso o marido foi cuidar do Zezinho. A gente sempre revesa, mas dessa vez eu emendei uma conversaiada e acabei adiando a minha vez para depois de comer. Jantei. Já tinha se passado bem mais de uma hora. Fui acudir o marido, coitado, pra ele aproveitar a festa.

Tiraram o maior sarro de mim, porque o Zezinho já tava no maior sono numa hora daquelas. Coloquei o menininho no carrinho, dei a mamadeira e achei que ele ia dormir. Só que depois de alimentado, ele recobrou as energias e resolveu passear de novo. Eu deixei, porque nem é sempre que ele vê crianças - mas eu sei que se eu tivesse insistido, ele dormiria.

Então comecei a seguir o rapazinho, que corria para todo lado. Ele ouviu crianças do lado de fora e foi até lá. Fui atrás. Ele decidiu zanzar na grama e eu atrás. Mas o salto não estava ajudando (salto e grama não combinam) e eu recuei até um local com piso e fiquei observando. 

Chegou um molequinho e começou a puxar conversa comigo.

- Qual seu nome? - pausa. - Onde você mora? - muito fofo o menino curioso.

E eu observando.

De repente, o Zezinho começa a correr em direção à piscina. Eu deixei o pobre menininho falando sozinho e saí correndo atrás do meu. Eu alcançaria com facilidade. Mas o salto. Ia encravando, me segurando, me atrasando. E eu me desesperei porque o Zezinho já estava quase chegando na piscina. Foi quando os dois saltos encravaram na grama de uma vez e eu caí feito uma jaca no piso de pedra ao redor da piscina.

Ouvi umas pessoas exclamando e levantei a cabeça, meio zonza. Vi meu bebê (nessas horas eles são nossos bebês) na borda da piscina e três pessoas correndo na minha direção. Ninguém deu bola para o menininho que estava prestes a mergulhar. E eu espatifada, só consegui gritar:

- Meu filhooooooo!!!!!!!!!!

Aí, um homem que estava vindo me acudir, compreendeu minha aflição e deu meia volta - agarrando o pequeno no último segundo. No susto, o Zezinho começou a chorar. Também foi nesse momento que eu vi o corte na minha mão (pequenininho, mas bem feio) e senti a dor no meu dedão do pé direito. Já de pé, catei o menino no colo e comecei a ir na direção do salão. As mulheres à minha volta (meros borrões) eram do happy-hour e não sabiam quem era o marido. Uma delas foi correndo chamá-lo e as outras conseguiram me convencer a entregar o Zezinho e me conduziram a uma cadeira que tinha ali perto.

Eu perguntei pelo Zezinho umas 15 vezes. Estava bem, brincando com uma moça. Aí, o marido chegou e eu mandei ele buscar o Zezinho. Não lembro se ele foi. Porque nessa hora minha vista já estava turva há algum tempo e eu não estava conseguindo raciocinar direito. Eu falava meio arrastado, comecei a dizer que não estava passando bem. Ouvi uma das mulheres perguntando pro maridón o que eu tinha bebido. Ele disse que nada. Então, ela falou no meu ouvido:
- Pode confiar em mim... O que você bebeu?

- Nada. Eu juro. - ou seja, bêbada feelings.

Não sei se ela acreditou (era uma moça meio doida, pra falar a verdade - acho que ela é que estava bêbada). De repente, entendi. A minha pressão tinha caído!!! Comecei a pedir água, avisei que era pressão baixa. Coloquei a cabeça no meio das pernas, bebi água e a visão começou a voltar. Meu cérebro começou a funcionar de novo!

Já tinham chamado uma ambulância, mas eu só queria ir pra casa. E pra convencer esse pessoal de que eu já estava bem? Já tinham limpado meus ferimentos (dois joelhos ralado e um corte na base da mão direita), a pressão já tinha voltado ao normal. Eu queria colocar o Zezinho no berço e descansar. Por fim, consegui convencê-los.

Só quando comecei a ir pro carro que eu senti alguma dor no tornozelo esquerdo. E, quando cheguei em casa, percebi que ele doía tanto que eu não conseguia andar. Fui no dia seguinte num pronto atendimento ortopédico e descobri que meu pé que doía mais estava só torcido, mas meu dedão do pé direito tinha uma fraturinha (bem pequena).

Saldo final: o pé direito enfaixado por três fucking semanas e a impossibilidade de dirigir durante esse período.

Mas Entei já me abraçou.

Amanhã conto mais.



Entei é um Pokémon. Quando ele aparece, é porque "tá tudo bem agora". Leiam mais explicações aqui (vale a pena).

15.10.10

apertador de botões

Chegando da casa da vovó e do vovô, depois de muita sapequice com as priminhas mais lindas e fofas, o Zezinho foi colocado no chão para que a mamãe pudesse ajudar o papai com as malas. Durante um minuto, a mamãe se afastou para fechar a porta do prédio. No momento seguinte:

- Ué, cadê o Zezinho?!

O hall estava vazio. As portas estavam todas fechadas. Só havia um lugar onde ele poderia ter entrado. Papai riu, pois rapidamente já percebeu o que tinha acontecido. A mamãe apertou o botão do elevador e as portas se abriram imediatamente, revelando lá dentro um garotinho miudinho com um largo sorriso matreiro no rosto.

28.8.10

desenvolvimento, parte 2

1 ano e 2 semanas:
12 de Maio
- festinha de aniversário!

15 de Maio
- adora dar tchau, mandar beijo, fazer bilu-bilu, bater palmas;

1 ano e 1 mês:
01 de Junho
- fala só o básico como papai, mamãe e pé (mas adora falar em sua própria língua);
- entende bem o que a gente fala;
- mostra o pé, mostra a barriga, mostra o nariz da minha mãe;
- mais peraltices: gosta de ligar e desligar a tv, apesar de já saber que não pode;
- anda dando a mão para mim ou segurando apenas com uma mão no sofá;

07 de Junho
- bate na boca imitando índio;
- se eu pergunto como faz o auau, ele responde (com um som muito estranho, mas ele tenta imitar um latido);
-já tentou falar vovó umas 2 vezes;
- faz que não com a cabeça quando não quer algo.

1 ano e 2 meses:
28 de Junho
- começou a tentar comer sozinho (eu ajudo);
- mostra a orelha e o próprio nariz;
- já entendeu que o controle remoto muda o canal da tv, então aperta os botões do controle mirando na tv.

10 de Julho
- quando a tia dele estava mostrando para ele o desenho de uma arara ele falou "arara";
- dança quando ouve alguma música que gosta;
- imita algumas coisas que a gente faz (como digitar no teclado e mexer no mouse, ou rosquear a tampa do copinho dele);
- teve seu primeiro contato com areia (que vergonha mamãe! virou nenê de apartamento, tadinho...)

15 de Julho
- balança a cabeça em negativa quando oferecemos algo que ele não quer (tive que ensinar isso porque ele começou a cuspir a comida quando já não queria mais).

20 de Julho
- presta mais atenção em desenhos animados mais cutinhos;

1 ano e 3 meses:
28 de Julho
- deu seus dois primeiros passos!
- já sabe que auau e cachorro são a mesma coisa (e seus "latidos" estão bem bonitinhos já);
- quando eu peço para ele fazer como o gato, ele faz "miau";
- sabe o que é meia (de colocar no pé) e tenta colocar a meia e o sapato no próprio pé sozinho;
- falou "sim" algumas vezes (com o som parecido com "hiiiiiim");
- apoia-se em um brinquedo que tem rodinhas (chama-se andador musical, mas não chega a ser um andador) e anda pela casa todo metido, tem horas que chega a correr (gritando).

31 de Julho
- reconhece papai, mamãe, nenê e Nina nas fotos: quando o papai pergunta "cadê a mamãe", ele aponta alguma foto minha dos porta-retratos e faz o mesmo quando perguntamos "cadê o papai", "cadê o nenê" e "cadê a Nina".

08 de Agosto
- falou "tia", olhando bem na tia dele;
- viu as priminhas andando e agora está mais empenhado em andar sozinho.

10 de Agosto
- falou "bom dia" várias vezes (o som sai mais como "bdiá" ou apenas "diá").

14 de Agosto
- começou a andar mesmo: anda "longas" distâncias sem se apoiar em nada e não precisa ser instigado a andar, pois toma a iniciativa sozinho.

21 de Agosto
- aprendeu a usar o "sim" corretamente: o papai, ao ver que ele já não queria mais comer a frutinha, perguntou "quer mais mamão?" e ele balançou a cabeça negativamente, aí o papai perguntou "quer água?" e ele respondeu "hííííííím".
- sabe que o nenê nas fotos dos porta-retratos é ele mesmo: papai perguntou "cadê o Zezinho?" e ele apontou certinho para as fotos.

25 de Agosto
- colocou-se em pé sozinho, sem se apoiar em nada, pela primeira vez.

24.8.10

poltrona e zoo

Outro dia eu estava no computador e ouvi o marido me chamar. Ele estava na porta do quarto do Zezinho, rindo. O Zezinho estava sentadinho na poltrona que tem em seu quarto, onde subiu sozinho, e estava segurando o relógio digital que fica na mesinha que tem do lado da poltrona. Ele estava encostado no encosto da poltrona, todo concentrado apertando os botões do relógio. Aí, olhou pra nós e deu uma risadinha; então, voltou a apertar os botões, como se estivesse fazendo algo muito importante.

Alguns dias depois, no último domingo, eu vi o Zezinho andando até o quarto dele e fiquei observando de longe. Ele foi direto até a poltrona, subiu nela, pegou o relógio e se encostou, como da outra vez. Nesse momento, ele olhou para mim e sorriu. Em seguida, começou a impulsionar a poltrona com o corpo, fazendo com que esta balançasse, e ficou rindo.

Talvez, descrevendo assim, não tenha muita graça, mas ele sentadinho alí é a coisa mais bonitinha do mundo. E ele faz cara de orgulhoso quando balança, como se fosse uma conquista, depois pára e volta a fazer cara de concentrado e mexe no relógio. É muito bonitinho.


Também no domingo, levamos ele no zoológico. Dessa vez, conseguimos fazer com que ele ficasse acordado durante o passeio quase inteiro. Ele adorou, queria ir andando sozinho, mas o chão é muito irregular, então ele tinha que se contentar em seguir de mão dada (uma só, duas mãos ele não queria). Ele deu bom dia repetidamente para todos os bichos ("bdiá" ou "diá" ou "iá") e ficou encantado com as crianças que vinham até ele. Ele estava tão feliz, que no final do passeio, morrendo de sono como estava, acabou dormindo com um sorrisinho no rosto.

12.8.10

desenvolvimento, parte 1

1 mês:
30 de Maio
- já reconhece a minha voz;
- presta atenção aos sons e pisca forte com barulhos mais altos;
- consegue firmar bem o pescocinho

1 mês e meio:
10 a 15 de Junho
- olha para o rosto das pessoas que estão perto dele;
- segue com os olhos pessoas e objetos que estão perto dele.

2 meses:
28 de Junho
- começou a sorrir ao receber beijos.

2 meses e 1 semana:
05 a 07 de Julho
- consegue levantar a cabeça e os ombros quando colocado de bruços.

3 meses e 1 semana:
05 a 07 de Agosto
- faz barulhinhos e balbucios como "aaaa", "ggggg", "bbbb";
- procura a origem de alguns barulhos, virando a cabecinha.

Quase 4 meses:
24 de Agosto
- primeira risada com som. Falávamos "Será que o Zezinho pega fogo?" e ele gargalhava!

4 meses:
28 de Agosto
- brinca com as mãos e as leva à boca.

4 meses e 1 semana:
07 de Setembro
- com muita dificuldade, ao ser colocado de bruços, consegue se virar de barriga para cima.

4 meses e meio:
13 a 15 de Setembro
- consegue segurar o coelhinho Titi e o leva á boca;
- o papai deita e coloca ele sentado na barriga e ele fica com a cabeça baixa tentando pegar o próprio pé, recentemente começou a levantar a cabecinha para olhar para a cara do papai;
- no trocador ele pega a fralda e fica olhando os desenhos (Mônica e Cebolinha) e às vezes tenta colocar na boca.

4 meses e 3 semanas:
20 de Setembro
- já consegue ficar sentado no meu colo apenas apoiado com as costas na minha barriga (não perciso ficar segurando muito);
- segura o mordedor Pé e o leva à boca.

5 meses:
28 de Setembro:
- sentado no meu colo assistindo desenhos no youtube, olhou para cima hoje pela primeira vez e sorriu para mim;
- já conseguiu segurar a bola Bem Bolada umas duas vezes (por pouco tempo);
- senta-se na cama de frente para mim apoando-se com suas mãozinhas nos meus dedos e consegue se manter assim por um bom tempo;
- deitado na cama sobre um travesseiro, consegue agarrar meus dedos e se levantar sozinho até ficar sentado.

01 de Outubro
- primeira vez que consegui segurar ele no colo virado de frente para mim, sentado em apenas um braço meu;
- primeira vez que conseguiu ficar um pequeno tempo sentado no meu colo sem nenhum apoio;
- pela primeira vez começou a colocar a língua para fora para tentar fazer barulhos com ela (tentado imitar a gente);
- consegue virar-se sozinho com mais facilidade e rola de um lado para o outro na cama.

5 meses e 1 semana:
05 de Outubro
- começou a tentar se sentar mais ereto no carrinho, fazendo força para levantar mais o corpinho (mas não consegue ainda);
- conseguiu puxar o móbile de carrinho Fazendinha pela primeira vez;
- se sentou na banheira pela primeira vez.

5 meses e meio:
09 de Outubro
- sentado na cama, de frente para mim, pela primeira vez conseguiu ficar se equilibrando sentado apoiando-se com apenas uma mãozinha agarrada em meus dedos;
- aprendeu a agarrar a cordinha do Sr. veneza.

13 de Outubro
- pegou o ursinho no berço sozinho e ficou brincando quietinho.

5 meses e 3 semanas:
20 de Outubro
- passa objetos de uma mão para a outra.

6 meses:
28 de Outubro
- começou a tomar suquinho de manhã.

6 meses e 1 semana:
07 de Novembro
- começou a comer fruta de tarde (a primeira foi pêra).

6 meses e meio:
10 de Novembro
- estava deitado no carrinho e sentou-se sozinho pela primeira vez.

14 e 15 de Novembro
- comeu a primeira papinha salgada (fubá);
- aprendeu a chacoalhar seus chocalhos.

6 meses e 3 semanas:
20 de Novembro
- consegue ficar sentado sem apoio nenhum.

7 meses e 1 semana:
07 de Dezembro
- começou a falar "ma".

7 meses e meio:
12 de Dezembro
- falou "mama" pela primeira vez.

7 meses e 3 semanas:
19 de Dezembro
- fala "papa" e começou a falar "nene".

8 meses e meio:
10 a 15 de Janeiro
- consegue ficar de pé apoiando no sofá;
- já surgiram seu dois primeiros dentinhos (inferiores frontais).

9 meses:
31 de Janeiro
- primeira mamadeira (60ml em meio a muuuuito choro), foi preciso que o papai andasse pela casa com ele no colo para acalmá-lo e que eu chacoalhasse seus brinquedos efusivamente enquanto ele mamava;
- começou a se arrastar pelo chão;

9 meses e meio:
14 de Fevereiro
- parei de amamentar no peito por completo;
- deu trabalho com a mamadeira apenas na primeira semana, agora já está bem melhor e mamando cerca de 100ml.

9 meses e 3 semanas:
17 de Fevereiro
- começou a ficar de quatro.

9 meses e 3 semanas:
22 de Fevereiro
- deus suas primeiras engatinhadas;
- fez sua primeira peraltice ao arrancar a tecla K do meu notebook.

10 meses e 1 semana:
8 de Março
- deu seu primeiro 'tchau' com a mãozinha.

10 meses e meio:
14 de Março
- começou a passar a mão na boca para fazer barulho (bilu-bilu).

10 meses e 3 semanas:
19 a 22 de Março
- aprendeu a mandar beijo (estalando a boca);
- se levanta sozinho se apoiando no sofá.

11 meses:
27 de Março
- anda apoiado no sofá;
- pela primeira vez começou a engatinha pra valer (com destreza).

30 e 31 de Março
- apareceu o terceiro dentinho (superior frontal direito);
- pela primeira vez se levantou no quadrado sozinho;
- já sabe fazer birra (mas não faz muita);
- gosta de colocar o dedo na nossa boca e nos nossos dentes para analisá-los.

11 meses e 1 semana:
04 a 07 de Abril
- me ajuda a colocar a roupinha nele (esticando os bracinhos);
- toma água segurando o copinho, tirando e pondo na boca sozinho.

11 meses e meio:
12 e 13 de Abril
- bateu palminha pela primeira vez (o papai estava cantando 'parabéns pra você" e ele imitou as palminhas);
- colocou o dedo na boca do boneco Ênio (como se analisando ou procurando seus dentes, como faz conosco);
- mamou segurando a mamadeira sozinho pela primeira vez.

18.3.10

zezinho, parte 3

Ué, não tinha chegado no fim???

Pós-operatório

Pois é, a história não acabou.

O Zezinho nasceu exatamente 14:17. Eu o vi muito rapidamente e ele foi direto para a UTI. Eu fui para o quarto do hospital e, de tempos em tempos, vinha uma enfermeira medir minha pressão. Eu me sentia ótima. Meu bebezinho lindo estava super bem e a única coisa que eu sentia era fome, pois não tinha almoçado.

Fato interessante: meu irmão nem sabia de nada, só contamos a ele depois do nascimento, quando já estava tudo bem; pois bem, não é que ele me mandou uma mensagem no celular, perguntamos como eu e o bebê estávamos extamanete às 14:15?!!

Maridón chegou no hospital sei lá que horas e estava todo mundo radiante. Só as enfermeiras é que insistiam em comentar que a minha pressão não estava baixando - na verdade, estava subindo. Até que no fim da tarde uma delas resolveu ligar para o Dr. E. por causa da chata da hipertensão. Ele veio no meu quarto, mediu a minha pressão e constatou que estava alta demais. Segue o diálogo:

- A pressão está subindo e nós precisamos fazer com que baixe logo. Por isso, vou interná-la na UTI e vou sulfatar - disse o médico.

- O que é sulfatar? - perguntei.

- Injeção de sulfato de magnésio, para obrigar essa pressão a baixar bem rápido.

- E d-d-dói?

- É... um pouco...

Minha gente, mas isso me deu uma tremedeira louca! Nem eu sabia que eu tinha tanto medo de injeção!!!

Me levaram para a UTI. Daí em diante eu perdi a noção do tempo. Acoplaram uns aparelhos que mediam meus sinais vitais e um aparelho de pressão no meu braço que me apertava de 15 em 15 minutos. O Dr. E. veio com uma injeção descomunal, mas eu nem fiquei olhando porque já estava nervosa o bastante. Mais ou menos nesse momento, minha pressão chegou a 22 por 12. Acho que fiquei a ponto de ter uma convulsão, mas não tive. Aliás, é isso o que chamam de pré-eclampsia. Se eu tivesse tido a convulsão, seria eclâmpsia.

O Dr. E. aplicou a injeção e, mão santa!, não doeu nadinha de nada. Minha Tia disse que nem sabe como, porque essa injeção costuma doer bastante mesmo. Mas a pressão não baixou. Então ele pingou UMA gotinha de um medicamento poderosérrimo na minha veia. Minha pressão começou a baixar rapidamente, o que deixou o médico tenso, pois baixar a pressão de uma vez também é perigoso.

Pois bem, o Dr. disse que eu iria ter que tomar outra injeção por volta de 2:00 da manhã, mas eu o convenci de que não seria necessário. Hehehe. Eu sentia muito calor, por isso o ar-condicionado da UTI foi diminuido até a temperatura de freezer. Eu via os enfermeiros encapotados, mas me sentia como se estivesse dentro de um forno. Meus pés suavam litros. O Dr. sentou-se ao pé da minha cama, ao lado do meu pai e, depois, ao lado da minha Tia. Quando ele estava conversando com a minha Tia, eu estava de olhos fechados, mas acordada. De repente, vi que eles ficaram em silêncio e senti um chacoalhão brusco na minha perna, seguido do som do meu nome. Olhei para o Dr., que estava pálido; então, percebi que os aparelhos que mediam meus sinais vitais estavam com mau contato, e o monitor estava indicando que eu tinha morrido! Até hoje tenho dó do Dr. por tanto susto que o fiz passar naqueles dias.

Depois que todos foram embora, tentei dormir, mas foi um sono agitadíssimo por causa do aparelho que ficava sempre me apertando para medir minha pressão. 2:00 ouvi um enfermeiro comentar que estava na hora da segunda injeção de sulfato de magnésio. Rapidamente abri os olhos e perguntei quem aplicaria, no que fui respondida que seria uma tal enfermeira X. Nada contra a moça, mas eu não queria ninguém segurando aquela agulha perto do meu behind. Me apressei em explicar que o Dr. E. tinha concordado em não mais aplicar aquela coisa. O enfermeiro foi verificar e eu olhei para o aparelho do meu lado que estava apertando meu braço de novo. A pressão deu uma leve subida, respirei fundo umas trocentas vezes e esperei a próxima medida, rezando para que nenhum enfermeiro visse o valor. Deu certo, a medida seguinte foi mais legal comigo e o enfermeiro voltou confirmando o que eu já havia dito. Nesse ínterim, voltei a sentir calor, mas fechei os olhos e dormi novamente (sendo apertada de 15 em 15 minutos).

Além disso tudo, a avó do meu marido, naquela mesma madrugada, faleceu. Meu marido soube apenas quando amanheceu e me contou uns 15 dias depois. Meu pai deu uns foras enquanto eu ainda estava na UTI, mas minha mãe e meu marido conseguiram me engambelar. Fiquei mais um dia e uma noite na UTI, em observação. Depois, fiquei na maternidade do hospital até completar uma semana do nascimento. Só fui ver, de verdade, meu filho quando ele já estava em seu terceiro dia de vida. Mas eu estava feliz porque sabia que ele estava bem.

Durante toda essa saga só tive dois medos: enquanto grávida, de perder meu filhinho; depois do parto, da injeção (!). É estranho, porque eu sou uma pessoa que tem muito medo de morrer. A possibilidade de morrer me aterroriza demais, mas naqueles dias nem pensei nisso. Acho que bloqueei, sei lá.

Enquanto eu estava no hospital, podia visitar meu neném 2 vezes por dia; quando tive alta, podia vê-lo 1 vez por dia. Mas logo deu-se início o lance do mamãe canguru. É um estudo muito bacana que diz que os bebês prematuros se desenvolvem melhor quando em contato com o corpo da mãe. Por isso, eu comecei a ir ao hospital logo de manhã, ficava com uma camisola e meu Zezinho ficava só de fraldinha, pele com pele, deitado no meu peito. Ele só saia dali para mamar e para eu comer, mas no fim da tarde eu ia embora de novo. Ele ainda mamava no copinho, pois não tinha força nem sabia mamar no peito ainda (perdeu os instintos ao ficar na incubadora).

Quando adiquiriu um certo peso, tentamos ensiná-lo a mamar no meu peito, mas não estava dando certo, então, resolvemos adiar mais, para ele ficar ainda mais forte. Com cerca de 1700g (acho), tentamos de novo. Parecia que nunca ia dar certo, mas eu já tinha 'perdido' meu parto normal, não ia perder a amamentação também. Não desisti, apesar da dificuldade exorbitante. Voltei a ficar alojada na maternidade e o neném veio ficar comigo no meu quarto. E ele ainda não estava mamando no meu peito. Ele só pegou firme no meu peito no terceiro dia e, quando isso aconteceu, o pediatra deu a alta na manhã seguinte.

Ah, esqueci de contar que na primeira semana de vida dele, meu leite começou a dar sinal de existência. E foi assim, do dia pra noite, que virei uma vaca leiteira. Meus peitos ficaram gigantescos e empedraram em uma noite. Foi um fuá, precisei de ajuda da enfermeira, precisei ir no banco de leite vários dias seguidos para me ajudarem a desempedrar, precisei de massagens doloridíssimas e precisei acordar de 3 em 3 horas para tirar leite, senão empedrava de novo. Eu doava tanto leite, que as mocinhas do hospital começaram a chamar meu marido de leiteiro. Foi horrível, nunca imaginei que pudesse doer tanto. Meu marido tinha que me ajudar, porque eu não tinha forças para tirar o leite, de tanta dor que eu sentia. Era de chorar.

Quando isso melhorou um pouco, o meu pixotinho começou a mamar no meu peito. Mas ele ainda não sabia muito bem o jeito certo e acabou rachando meus bicos. Ha-há. Se eu achava que peito empedrado doía, eu não sabia era de nada. Porque bico rachado é tão pior... De qualquer modo, o que funcionou para isso, foi passar leite constantemente e tomar sol de topless todos os dias. Não tem nada mais cicatrizantemente eficaz. Mas, acreditem, depois que isso passa, amamentar é muito gostoso. Sério!

No fim, sofri diversas vezes, senti dores, medos e, em alguns momentos, quase enlouqueci. Mas tudo valeu a pena e, hoje, lembro de tudo isso rindo. Meu pequerrucho é a coisa mais linda DO MUNDO.


Depois

Depois que nasceu, o Zezinho ficou 1 mês no hospital e mais dois meses comigo na casa dos meus pais. Depois voltamos para a nossa cidade, na casa alugada mesmo, porque a outra ainda não estava pronta. Ele dormia no quarto improvisado, em um berço improvisado, e era tudo uma delícia. Quando ele estava com cerca de cinco meses e meio, finalmente nos mudamos para a nova casa velha.

E o resto eu conto depois.

16.3.10

zezinho, parte 2

Os dias foram passando. Eu tinha um esquema para conseguir tomar todo o líquido recomendado por dia; tinha que comer bastante, mesmo a comida estando totalmente sem graça; tinha que ficar deitada o dia todo, praticamente na mesma posição, mesmo estando com um torcicolo terrível...

Não nego que foi difícil, alguns dias dava vontade de chorar. Aliás, chorei algumas noites de dor no pescoço - o torcicolo provavelmente era proveniente do fato de eu ficar o dia todo na mesma posição. Mas mesmo nos momentos mais difíceis, eu sempre acreditei que tudo ia dar certo. Boa parte da minha tranquilidade era resultado do modo como todos me tratavam, sem demonstrar quão perigosa era a situação.

Com frequência eu fazia exames para ver como ia a minha saúde e a saúde do bebê. O médico, que me passava cada vez mais confiança, sempre se mostava realista, sem ser pessimista. Cada dia, um ganho. Passou-se quase duas semanas quando ele demonstrou que o parto estava prestes a ocorrer, era apenas uma questão de dias. Faríamos um ultrassom dali a uns 4 dias e talvez no mesmo dia seria o parto. O dia previsto, meio que marcado, era 30 de Abril.

O parto seria cesária, não teria outro jeito. E estava sendo marcado para aquela quinta-feira porque, a partir dalí, minha vida correria cada vez mais risco e o bebê parecia não estar mais se beneficiando tanto com o fato de ainda estar dentro de mim. Também, com aquelas duas semanas, o risco de acontecer algo com o bebê, por ser prematuro, já havia diminuído.


O medo

É bom fazer um adendo.

Desde o início da gravidez eu queria muito que o parto fosse normal. Muito mesmo. Um dos maiores motivos era que eu queria passar por essa experiência (aliás, ainda quero). Eu sempre soube que ia doer que nem o inferno, mas eu queria passar por isso. Acho que faz parte de ser mãe, sabe.

Isso é uma coisa muito pessoal, claro. Tem mulher que morre de medo de ter parto normal; tem as que têm medo da cesária; tem aquelas que queriam normal e não puderam, mas que também não sentiram a cesária como algo negativo. Eu respeito cada caso, porque só sabe o que se passa na cabeça de uma mulher grávida, quem já passou pela experiência.

E eu queria o parto normal. Antes de a minha pressão subir, eu fazia exercícios específicos para que o bebê entrasse na posição correta - com a cabecinha para baixo. Mas nos exames, o safadinho sempre aparecia sentado. Eu comecei a ficar um pouco ansiosa com isso, porque se o bebê não está na posição adequada, o parto normal é arriscado e acabaríamos optando pela cesária.

Outro 'sonho' que eu sempre tive era de estar com o Maridón do meu lado na hora do parto. Era uma coisa da qual eu não abria mão. Tem gente que quer a mãe do lado, mas eu realmente queria meu marido. Isso era algo muito importante para mim.


Dia D

Na época da gravidez estávamos reformando a nossa futura casa lá na nossa cidade e o Marido sempre ensaiava de viajar até lá para ver como iam as coisas, mas ele nunca tinha coragem de ir porque o bebê podria nascer a qualquer momento, dependendo dos resultados dos exames que eu fazia regularmente. Porém, naquela segunda-feira, dia 27, ficou meio pré-marcado que o nascimento seria na quinta-feira. Assim, Marido e Sogro marcaram uma viagem para o dia seguinte.

Dia 28 de Abril, bem cedinho, Marido e Sogro pegaram a estrada e eu fiquei, como de costume, deitadinha a manhã toda num colchão no chão da sala de tv da minha mãe. Eu tinha um costume, que era tentar acumular tarefa para precisar levantar o menos possível. Por isso, mesmo estando com vontade de fazer xixi a um certo tempo, eu estava esperando a hora do almoço, para levantar uma vez só.

Eu estava cochilando, de costas para a tv quando meu pai chegou. Eu ouvi, mas estava com preguiça de abrir os olhos. De repente, senti algo estranho e pensei: "Nossa, será que eu estava com tanta vontade de ir no babnheiro assim e não percebi???!!" Levantei com pressa, pois achei que estava prestes a fazer xixi alí mesmo.

Num minuto eu estava dentro do lavabo e quando fui abaixar a roupa, percebi as gotas de sangue no chão. Foi o momento mais aterrorizante da minha vida. Comecei a gritar pelo meu pai, que veio mais rápido que um raio. Ele me levou para o quarto e pediu que eu me acalmasse, enquanto ligava para a minha mãe. Minha mãe ligou para o médico e este disse que queria falar comigo. Em algum momento, lembro de ter sentido um chute e aquilo foi como uma dose cavalar de calmante. O bebê mexia!

Rapidinho minha mãe já estava do meu lado, me entregando o celular. Contei ao Dr. E. tudinho e ele mandou que eu fosse para o hospital imediatamente. Do carro, liguei para minha sogra. E para o meu marido! O pobrezinho estava lá na nossa cidade, vendo obra!

No hospital o médico apenas colocou o doppler na minha barriga, ouviu o coração do bebê e chamou a enfermeira: Prepare-a para a cesária e já a leve para a sala de parto. Meu coração disparou. De repente me deu tanto medo da cirurgia. E meu marido não ia estar ao meu lado!!! Eu estava quase desesperada, mas sabia que eu tinha que manter a calma. Tentava não pensar em nada, mas toda vez que eu ficava sozinha (leia-se sem meus pais) no trajeto para a sala de parto, me ameaçava um certo pânico.

Já deitada na mesa de cirurgia, percebi que nem minha mãe nem meu pai ficariam comigo. Quase chorei. Mas aí minha Tia, com T maiúsculo, apareceu do meu lado e dali não arredou pé. O que me acalmou muito.

A cirurgia foi tranquilíssima e muito rápida. Segundos antes de começar o médico teve que decidir qual seria o corte por onde o bebê seria tirado. Um deles traria menos risco de o bebê sofrer algum trauma durante a retirada, mas o Dr. E. optou pelo outro. Por um motivo simples: o corte menos perigoso, na transversal, praticamente me impossibilitaria de ter outros filhos. O que demorou mesmo foi fechar o corte, pois são muitas camadas de tecido. Mas aí eu já estava beeem mais tranquila.

Em dado momento, uma enfermeira me pediu que eu relaxasse mais, pois os nós dos meus dedos estavam brancos de tanto que eu apertava a minha mão. mas aí eu expliquei a ela que eu não estava apertando a mão, eu era é muito branca mesmo. Hehehe.

Às 14:17, com 34,5 semanas de gestação, o Zezinho nasceu muitíssimo bem, mas com 1500g. Magrelíssimo, tadinho. Ficou na UTI durante 10 dias, um mês no hospital no total. Não precisou ficar ligano no oxigênio, só precisou ganhar peso mesmo.

No fim, deu tudo certo!



(Continua em: zezinho, parte 3)